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Assuntos! #14

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Laços e instituições

Como respondem os analistas à tentativa, da época, de eliminar o real nos assuntos de família? Esta é a pergunta que se desdobra neste boletim, através de entrevistas e textos que orientam a clínica e a intervenção no social.

Lizbeth Ahumada Yanet localiza, nos dispositivos "Escola para pais" e "Home School", a tentativa de continuidade entre família e escola que almejam escamotear o real, que se aloja no ato de atravessar, sair do familiar.

Cristiane Cunha, situa esta mesma orientação nos programas para adolescentes, aos quais, em busca de ideais familiaristas, é negada a possibilidade de inventar sua própria ficção de família, considerando-os incapazes de qualquer escolha.

É a partir da clínica atual que Alejandro Daumas responde às perguntas sobre o que são, hoje, um pai, uma mãe, um filho e um irmão. Suas respostas permitem desapegar-nos das carnaduras e roupagens da época para situar o estrutural em jogo, distinção imprescindível para abordar os enredos na prática.

Como contraponto das entrevistas, três escritos dialogam com elas.

Maritza Bernia nos recorda a indicação de E. Laurent: "proteger as crianças dos delírios familiaristas", acompanhá-los na construção subjetiva, implicando-os desde o início e instaurando um lugar para a causa.

Preservar o segredo como a marca do que não pode desnudar-se totalmente, é a aposta da psicanálise, formula Tatiane Grova, entendendo a família como aparato que aloja esse "raio misterioso".

"Uma vez que a psicanálise sabe que o gozo é assunto de contingência", diz Florencia Dassen, o que se propõe, precisamente, é tocar esse real, fazer algo distinto com o que se supõe como "um destino" dado pelo familiar.

Além disso, nos deixamos ensinar pelo cinema, nas imagens de Juno e com o comentário de Alejandra Loray, enlace, nesse novo Assunto, entre os acordes que deslizam entre "o raio misterioso" e o "eco sutil". Imperdível !!!!

María Marciani
Responsável Rosario VIII ENAPOL



 

Juno
Alejandra Loray

O filme[1] gira em torno de Juno, uma adolescente de 16 anos que engravida e deve decidir o que fazer. Rejeitada a opção de aborto (o filme toma uma posição contrária, embora delicadamente), decide "ter o bebê e dá-lo a alguém que o queira",* pois ela "não está preparada para ser uma mamãe", uma vez que nem sequer sabe "que tipo de garota eu sou".

Quer escolher bem os pais para a criança: que o queiram, que tenham certa ousadia e outras condições para que tudo saia bem. Encontra o casal adequado: jovens, ricos, belos e com almejos postergados de um bebê. Ela, Vanessa, com um comovedor desejo de ser mãe ("nasci para isso"). Seu marido, Mark, a acompanha, mas sem renunciar à sua ilusão de ser um rockstar.

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Laços, assuntos e ecos
Florencia Dassen (EOL)

O segredo de Gardel
Tatiane Grova (EBP)

Violência e segregação familiar
Maritza Bernia (NEL)

Fapol NEL NEL EBP