Atividades preparatórias

Resenha da Primeira Noite Preparatória para o VIII ENAPOL

Por Silvina Molina

21 de abril de 2017 - EOL Seção La Plata

Na quarta-feira passada, 19 de Abril, ocorreu, na Seção La Plata, a Primeira Noite Preparatória para o próximo ENAPOL. Dela participaram o presidente do VIII Encontro Americano, Ernesto Sinatra, e María Laura Errecarte, responsável pela divulgação em nossa cidade. A mesa foi coordenada por Jorge Santopolo, que nos convidou a nos juntarmos à comunidade de trabalho para este Encontro.

A noite começou com uma calorosa apresentação de María Laura, que nos deu as boas-vindas à família do ENAPOL e nos informou acerca de como se configura o "mapa americano". Em seguida, apresentou a equipe de divulgação platense, constituída por: Ana Piovano, Gabriela Rodríguez, Mariángeles Costa, Lorena Parra, Verónica Escudero e por mim. Em seguida, nos convidou a acompanhá-la em uma série de quatro encontros. O segundo deles ocorrerá na Faculdade de Psicologia, no dia 5 de maio, com a apresentação de seis micro intervenções. O terceiro encontro se realizará no H.I.G.A. "San Martín", no dia 9 de junho e o quarto será em agosto, novamente na Seção, no qual se depositarão algumas conclusões.

Desenvolveu, então, as linhas de sua investigação, que se centralizou em torno de três perguntas: "O que constitui família para cada um?, O que é um irmão? e O que é um próximo?". À luz desses interrogantes, rastreou o termo irmão no texto de Lacan, "Os complexos familiares" e num texto de J-A. Miller "Cosas de familia en el inconsciente". É a partir disto que situa a seguinte hipótese: "se não existe disparidade em um casal, então os parceiros mesmos se tornam irmãos". Isto a conduziu a concluir: Então, hoje, todos irmãos?

Da sua parte, Ernesto Sinatra nos transmitiu seu gosto pelo trabalho e pelos assuntos de nossa época. Sua exposição começou com uma leitura da imagem da família que representa este VIII ENAPOL. Estimulou-nos a repararmos nos detalhes da bricolagem que, segundo ele, nos mostram, com seus elementos extravagantes e bufonescos, o grotesco implicado no estado atual de nossa civilização.

O título que escolheu para nos propor um programa de investigação foi: "O retorno ao pai Ubu na era da pós-verdade". Todo o seu desenvolvimento girou em torno da pulverização do pai e da consequente pluralização dos gozos. Ernesto situa que, nos anos 30, Lacan já falava do declínio da imago paterna, ou seja, do processo de transformação que o pai sofreu. No entanto, se centrará nos efeitos desta pluralização dos Nomes do Pai, na medida em que conduz ao problema central da educação: a autoridade. Propõe então que o declínio de Deus pai implica no enfraquecimento de sua dupla função. A função que exercia de encarnar o ao menos Um da exceção e, por fim, sua função de dar consistência ao Um social. Se não há exceção, não há todo, não há universal que se sustente e, por isso, assistimos a era do não-todo, que tem uma incidência decisiva no modo como a família se configura. Ou seja, a implosão do pai faz sintoma, deixa sequelas. Uma de suas consequências é a descrença nos grandes relatos e outra são os efeitos sobre o corpo, porque, ao não identificar o pai com a autoridade, este já não cumpre sua função de regular o gozo fálico. Isto é um fato clínico: os corpos já não se constituem em torno de sintomas localizados.

Disse que se estamos em uma época na qual em se sabe da inexistência da relação sexual, este saber terá consequências diretas na família. Assim, se o pai já não exerce a função de dizer não, isto produzirá respostas sintomáticas como, por exemplo, a judicialização generalizada e seu consequente "gozo judiciário", que pode nos conduzir a situações grotescas que movem "a indústria judicial".

O pai demonstrou seu ser de semblante e isto nos faz passar "das cócegas e termina com a labareda de gasolina", fórmula que nos propõe para pensar o retorno impotente do pai, por exemplo, nos feminicídios, quando o homem não suporta mais o hetero e tenta destruí-lo. Cita Lacan em "Formulações sobre a causalidade psíquica" acerca do que ele ali denomina de "assassinatos imotivados". Após este desenvolvimento, nos lembra do que afirma J-A. Miller: que "a permissão para gozar não muda em nada a estrutura do gozo", há uma fenda intrínseca do gozo que hoje já não se esconde. Neste ponto, desenvolve brevemente as fórmulas da sexuação e menciona um texto freudiano intitulado "A novela familiar do neurótico". O que interessa a Ernesto destacar é esta pergunta: Como passar dos assuntos de família, nos quais o Outro constitui a matriz do sentido, do destino, ao sinthoma? Depois de tudo, quem acredita hoje no pai? É a pergunta com a qual conclui sua explanação a respeito da primeira parte de seu título, na qual se propôs a pensar como seria, para ele, o retorno bufonesco do pai Ubu.

A respeito da segunda parte do título "a era da pós-verdade", ele comenta que esta palavra foi escolhida como a palavra do ano de 2016 para o dicionário Oxford. Trata-se de um neologismo criado para descrever "a manipulação grosseira dos enunciados" na atualidade, para criar e modelar a opinião pública, baseados em emociones e sentimentos e não em fatos objetivos. Ela poderia ser resumida do seguinte modo: "que algo aparente ser verdade é mais importante que a própria verdade". Ele leva em consideração a fórmula de Lacan "a verdade é irmã do gozo", para nos propor uma fórmula consoante à era da pós-verdade, ou seja, "a verdade é o lacaio do gozo". Sinatra concluirá sua exposição com esta inquietação: os semblantes contemporâneos nos transportam a uma nova apresentação do pior?

Imediatamente, desenrolou-se uma conversação, animada por Jorge Santopolo, com várias intervenções do público. Nelas foi enfatizado que a época convoca a habilidade do analista para saber fazer com o que existe e com o que não existe.

Tradução: Elisa Monteiro