Atividades preparatórias

IV Noche preparatoria hacia el VIII ENAPOL

MAL EDUCADOS?

Quatro equipes de investigação, seus responsáveis e apresentadores:

  • Garotos maus, crianças sozinhas (Roberto Bertholet - Ángeles Córdoba)
  • As Famílias e as instituições educativas (Diego Villaverde - Ana Simonetti Sbarra)
  • Mães sozinhas com filhos sem pai (Marta Goldenberg - Camila González)
  • A construção da adolescência e as Tribos urbanas (Diana Campolongo-Ludmila Malischevski)

Comentadores: Adela Fryd e Luís Tudanca. Coordena: Alejandra Glaze

Das quatro equipes se desprende um eixo: educados / mal educados e um fio que os engancha: o ineducável do gozo.

Mau e sozinho, maldade e solidão como "escolhas de gozo" mantidas ao longo de um tempo, repetições de modos de satisfação pulsional que se prestam com dificuldade à dialética simbólica. O gozo é a invariante, corresponde ao traumatismo de lalíngua sobre o corpo, a moral varia com a época.

Nesta época de multiplicação de objetos de mercado, rechaço da castração, tratamento real das imagens, queda da dimensão metaforizante e empuxo à literalidade, proliferam os fenômenos de gozo não dialetizáveis e a moral se assenta no tratamento real dos corpos. Isso é o que, como sociedade, nos retorna nas crianças, produtos e objetos dessa moral. Grande parte das manifestações dos "garotos maus, crianças sozinhas" não chegam a gerar "enredos na prática", não chegam aos consultórios, mas são usados pelos setores mais canalhas da sociedade em benefício próprio. Seria uma aproximação para pensar a categoria de garotos à diferença de crianças.

A tribo como ficção permite emoldurar e alojar o real que irrompe na puberdade. Nessa perspectiva, no texto "Em direção à adolescência" , Miller ressalta "a originalidade de Lacan" ao ter articulado o par: "semblante e real". As tribos urbanas comportam construções simbólico-imaginárias, semblantes, artifícios que, em alguns casos, orientam o adolescente e lhe permitem certa localização do gozo. Do mesmo modo, em algumas psicoses, podem funcionar ao modo de "discursos estabelecidos" que indicam o que fazer com o corpo, como vesti-lo, usá-lo e como relacionar-se com outros.

Se a infância de nossa época é mais solitária, "o individualismo de massa, as telas que miram a infância, a dependência às ofertas de mercado fazem da criança atual um objeto de gozo".

Para mães sozinhas com filhos sem pai, como primeira questão, furar os preconceitos das instituições. Nas consultas se escutam os modos de satisfação que a "ausência" dos pais inscreve e a dificuldade de inscrição dessa função. Apresentam-se em distintas modalidades de sintomas e a tensão entre não toda mãe / não toda mulher, que o analista localiza.

Um traço a extrair - entre outros - formulado por Adela Fryd é que se o ódio toca algo do indizível do ser, o que estaria aberto a nossas intervenções é tocar algo do indizível nesse "garoto mau".

Tomando alguns traços, entre outros, Luis Tudanca nos transmite que não há modo de estar ajustados às normas, uma vez que para a psicanálise se trata de desajustes

Mal educados, desde o discurso do mestre, substitui o Mal-entendido; então, "Todos irregulares". O impróprio de cada um seria o único comum. O impróprio voltado à comunidade como tratamento do real.

Em qualquer outro lugar que não seja o discurso/ dispositivo analítico "os chamarão de mal educados". Outro lugar por fora do discurso analítico aponta para os ideais. Sempre com o direito ao segredo como garante.

Adela Fryd propõe que, mediante dispositivos "diferentes" dos propostos pelas instituições crianças – garotos – adolescentes, se propiciaria um espaço para que possam tomar sua palavra, não sacrificar-se mais ao Outro. As intervenções do psicanalista terão efeitos se tocarem, nesses sujeitos, o indizível do ódio. Isso também dependerá do lugar que estes ocupem: se o lugar é de objeto, haverá preponderância do real. Se o ato não é interpretado, haverá repetição.

Se o pai já não impacta…., sempre haverá algum que sim. Sob transferência, o analista pode impactar.

Silvia Bermúdez
Comissão de conteúdos