Atividades preparatórias

Quarto Encontro Preparatório para o VIII ENAPOL

23 de agosto de 2017

Quarta-feira, 23 de agosto, aconteceu um novo Encontro Preparatório para o VIII ENAPOL na sede da EOL Seção La Plata. Christian Ríos, Alejandra Gorriz e Agustín Barandiaran apresentaram trabalhos que ocasionaram uma animada conversação, com várias e diversas ressonâncias em torno dos "Gadgets em família". Com a amistosa coordenação de Mariángeles Costa, esta noite enfocou tema da atualidade lançando luz sobre ele, para continuar desde ali interrogando distintos conceitos da orientação lacaniana e sua articulação na clínica.

O Encontro foi aberto por Christian Ríos, responsável de uma das Conversações do próximo ENAPOL, com o mesmo título escolhido para a mesa. O trabalho foi o produto de um grupo de investigação formado por dez praticantes da psicanálise de nossa cidade (entre eles, outros dois participantes da mesa). Este trabalho, junto com dois de outros países, fará parte de uma mesa de Conversação, que serão publicados na página do Encontro poucos dias antes do mesmo. Christian Ríos contou o longo percurso realizado pelo grupo, a partir do fato de se servirem de cenas de séries, livros e filmes que representam como se introduzem os gadgets nas famílias. Adverte-nos que, diante do risco de realizar uma leitura sociológica sobre o tema, escolheram abordá-lo desde dois aspectos precisos formulados pela psicanálise: a feminização do mundo e a ascensão ao zênite social do objeto a. Assim, pensar o regime do gozo da época a partir da lógica do não-todo é o pontapé dado pelo grupo para recortar e delimitar uma posição diante do tema. Servem-se do escrito "Famulus", de Miquel Bassols, que introduz a ideia de família como aparato de gozo, e a dimensão do gozo feminino, heteros. O que varia com a época é o assunto, não o gozo, pontua Christian, ou seja, o que encontraremos na clínica serão as distintas formas de dar uma resposta a esse gozo. Isto nos permite pensar os assuntos de família mais além do nome do pai. Como pensar então a incidência do gadget na família? Formulam duas respostas ou vertentes a explorar: o uso do gadget como uma solução e o uso do gadget como problema, a obturar a não relação sexual.

Alejandra Gorriz nos traz o traço de caráter que marcou o grupo, o qual deu ugar aos interesses singulares no tema. O gadget poderá ser lido desde a perspectiva do sintoma no último ensino, mais precisamente desde "A Terceira", como "o que vem do real". Pergunta se o gadget encontra alguma articulação com o real e o coloca desde dois aristas diferentes: como objeto de consumo ou como arranho-solução. Em relação ao primeiro, parte da articulação capitalismo-sintoma. Há um "único sintoma social", dirá Lacan: a desapropriação dos laços sociais, um fora de discurso que cada sujeito encarnará. Alejandra se pergunta então: que efeitos tem sobre a família essa desapropriação dos laços sociais?¿O que é falar de mamãe e de papai em um ser falante fora do discurso, quando não se está no discurso edípico? Que transformação da família poderá localizar-se aí? Interrogações que nos deixa e convida a sustentar.

Quanto à vertente do gadget como solução, menciona dois exemplos clínicos, que nos mostram problemáticas atuais em relação aos laços sociais. Todavia, somente sob transferência é que o sintoma terá a possibilidade de ser lido como tal.

O trabalho de Agustín Barandiaran, por sua parte, enfatiza uma pergunta: o que intercede sobre o gozo materno, quando não se normativiza segundo o Édipo? E realiza uma leitura do gadget como produto da hipermodernidade, que tem efeitos para os seres falantes. Em "Uma Fantasia", Miller sublinha: "A ditadura do mais-de-gozar até explodir com o matrimonio, dispersa a família e modifica os corpos". A partir desta frase, Agustín se pergunta e aborda o tema desde a perspectiva do desejo e do amor. Toma, neste ponto, os avanços na gestação e a aparição do "bebê perfeito", que abre a via para pensar a criança como objeto gadget: como pensar o desejo dos pais? O que sucede com o amor, quando o que se ama se pode comprar? Lacan assinala que o capitalismo deixa fora as coisas do amor, por isso se pergunta: como pensar gadgets em família sem passar pelas coisas do amor?

Na discussão posterior as ressonâncias deixaram ver o tecido entre os distintos temas que convocarão e convocam às Jornadas Anuais da EOL, as desta Seção e do próximo ENAPOL. Entramado no que confluem o que podemos deixar do lado da lógica da fantasia e das ficções e o que vai mais além do nome do pai, ligado ao corpo, o gozo fora do sentido, o gozo que há. Ambas dimensões fundamentais para abordar a clínica atual, orientados pelo real. Retoma-se o lugar do desejo, desejo não anônimo, que permite que uma solução singular se sustente por uma montagem familiar. Do mesmo modo, a função do laço a dois, "esse pequeno laço" em uma psicanálise, que permite fazer algo com o sintoma apesar da dificuldade de estabelecer laço social promovida pela época.

Dando a noite por finalizada, Mariángeles Costa, que participa do grupo de difusão coordenado por Maria Laura Errecarte, convidou a todos a participar do sexto e último encontro preparatório do VIII ENAPOL, que será em nossa cidade na República de los niños, dia 2 de setembro às 11 hs.

Lorena Parra

Tradução: Vera Avellar Ribeiro