Livraria

El deseo del analista de Javier Aramburu, na livraria de nosso VIII Enapol

El deseo del analista (Tres Haches, Buenos Aires, 2004)

Não cessa de ser reimpresso e de ser referência inegável. Um libro que reúne os ensaios e conferências de mais de 20 anos de produção, que dá conta e deixa pegadas do desejo decidido de Javier Aramburu, que, aqui, como autor, se reflete em seu compromisso com a época e com a elucidação rigorosa dos conceitos que aborda.

Compartilho uma citação que reflete sua atualidade e que recorto em ressonância com a V Noite Preparatória para o Enapol: " Da ficção do pai ao inconsciente real".

"Pensa-se que a psicanálise, em geral, e a histeria, em particular, é um processo que se produziu em uma etapa de mudança, entre a época vitoriana e a modernidade, ou seja, em um momento de transição, momento de crise de uma sociedade muito repressora, uma sociedade que começava a rachar; aí, efetivamente a psicanálise teve seu começo. Mas, dessa realidade, se deduzem coisas que me parecem equivocadas. Deduzem, por exemplo, que o inconsciente é efeito da repressão, efeito da repressão das pulsões sexuais e que os sintomas são o retorno deformado dessas pulsões inconscientes, que foram sufocadas pela autoridade de seus pais e que, ao liberar-nos dessa autoridade, dessa repressão paterna, se dissolveriam os sintomas e, com eles, o inconsciente. Se postula também, de certa forma, o fim do Édipo. Por certo que a repressão, em Freud, desempenha uma função importante, porque, para ele, possibilita que o sujeito se adeque aos ideais, à maneira como o Outro queira que nos vejamos, conforme ele mesmo. Daí se deduz que o inconsciente seria o avesso do discurso de mestre. Do mestre representante do Outro simbólico. Então, há uma série que inclui o mestre, o pai, o Outro simbólico, o ideal, o supereu. Uma série que convoca a repressão, embora pareça que demanda submeter-se ao mandato da lei.
Assim, podemos dizer que o sujeito, por amor ou por temor ao pai, ou por ambas as coisas, reprimiria sua sexualidade, seus desejos, os desejos que não estiverem de acordo com esse ideal. Aqui, o inconsciente claramente é visto como efeito do pai, a repressão paterna é causa do inconsciente, mas a causa do inconsciente, na verdade, é a castração. O problema que agora se coloca é se é possível que a transmissão da castração não esteja sustentada na figura paterna, ou seja, se há uma certa diferença entre castração e Édipo" (pp. 132).

Juan Pablo Martin Mogaburu

Não conheço ninguém que não tenha me falado, com entusiasmo, sobre a absoluta singularidade da escrita de Javier Aramburu.
Carlos Rossi, Julho de 2017