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La Batalla del autismo. De la clínica a la política,de Eric Laurent

La Batalla del autismo. De la clínica a la política(Grama, Buenos Aires, 2013)

Este texto de Eric Laurent constitui, a um só tempo, um verdadeiro documento e uma resposta à polêmica que se desencadeou na França, em janeiro de 2012, ao considerar o autismo como "Grande Causa Nacional". Convoca a nós, psicanalistas, a nos rebelarmos frente a uma perspectiva pedagógica que pretende reduzir o sujeito autista a um sistema de relações baseado em aprendizagens repetitivas e generalizáveis.

Por que Laurent escolhe o termo "batalha"? Ele o recolhe dos testemunhos dos pai de crianças com dificuldades, que se referem a cada dia como um combate diante dos obstáculos que se lhes apresentam, não só na abordagem e na contenção que os concerne como pais, mas também frente às diferentes instituições administrativas, educativas e terapêuticas, as quais buscam para que colaborem no interesse da criança.

Em um percurso inestimável, o autor revisita suas experiências clínicas no final da década de 1970 em um hospital do dia com crianças psicóticas e autistas, para reconsiderar essa experiência em 1987 com as contribuições de J.-A. Miller e à luz dos últimos ensinamentos de J. Lacan, a partir dos quais a clínica da psicose é ordenada não apenas a partir da foraclusão do Nome do Pai, mas também no marco da problemática do retorno do gozo.

Como resultado, Laurent examina como essa hipótese se sustenta em relação ao retorno do gozo no autismo e circunscreve sua presença opaca em torno do que chamará de um curioso limite, essa neoborda, um lugar de defesa maciça, um lugar de pura presença. É a partir disso que ele se pergunta: como se pode deslocar essa borda nos tratamentos com esses sujeitos?

Valiosíssimos testemunhos dão conta da importância dessa orientação clínica, ética e política. Situa o sujeito autista como a demonstração de que o real, mais humano, está mais além de qualquer redução às leis da ciência.

Este texto nos convida a investigar, acompanhar e combater, junto com Laurent, o que denunciará como una campanha de lobbyng hostil à psicanálise, cuja natureza é fundamentalmente biopolítica.

Mirta Nakkache