Imprensa e difusão

#AssuntosEpistolares 2

Envía: Gabriela Rodríguez (Asociada, Sección EOL-La Plata)

Querida Linda,

Estou no meio do voo a St. Louis para dar uma conferência. Estava lendo uma historia no New Yorker que me fez pensar em minha mãe e, sem perceber, sozinha na poltrona, sussurrei: «Eu sei, mãe, eu sei» –encontrei uma pena, e pensei em ti– que algum dia voará sozinha para algum lugar, talvez eu já tenha morrido, e desejarás falar comigo.

Eu quero falar. (Linda, talvez não estejas voando, talvez estejas na tua mesa da cozinha tomando chá, em alguma tarde, quando tenhas 40. Em qualquer momento) e quero te dizer:

Primeiro, que te amo.
Dois, que nunca me decepcionaste.
Três, eu sei. Eu estive aí alguma vez. Eu também tive 40 com uma mãe morta que ainda me faz falta.

Esta é minha mensagem para a Linda de quarenta. Não importa o que aconteça, sempre serás meu passarinho, minha Linda Gray. A vida não é fácil. É terrivelmente solitária. Eu sei disso. Agora também sabes – onde estiveres, Linda, falando comigo. Mas eu tive uma vida boa –escrevi infeliz– mas vivi com capa e espada. Tu também, Linda –vive no limite. Amo-te, minha Linda, aos quarenta, e amo o que fazes, o que encontras, o que és. Sê tu mesma. Pertence àqueles que amas. Fala com meus poemas e com teu coração - estarei nos dois: se precisares de mim. Menti, Linda. Eu também amei minha mãe e ela me amou, ela nunca me apoiou, mas sinto sua falta, tanto, que tive que negar que alguma vez a amei –ou ela a mim, mas, que tonta, Anne! É assim!

Carta de Anne Sexton -poeta- a Linda Gray Sexton -sua filha-, em Anne Sexton: A Self-Portrait in Letters, edição de Linda Gray Sexton e Lois Ames, Estados Unidos, Mariner Books, 2004, p. 424. Extraída de http://cuadrivio.net/litera tura/poemas-de-anne-sexton/