Imprensa e difusão

#AssuntosEpistolares 3

Envía: Cecilia Salvetti

Meu senhor Dom Diego:

Escrevo isto do quarto de um hospital e da antessala (antes de entrar no) do centro cirúrgico. Tentam apresar-me mas estou decidida a terminar esta carta, não quero deixar nada pela metade e menos ainda agora que sei o que planejam, querem ferir meu orgulho cortando-me uma pata... Quando me disseram que teriam que amputar minha perna isso não me afetou como todos acreditavam, NÃO, eu já era uma mulher incompleta quando lhe perdi, outra vez, por enésima vez talvez e ainda assim sobrevivi.

A dor não me aterroriza, bem sabes, é quase uma condição imanente ao meu ser, ainda que, sim, te confesso que sofri, e sofri muito, toda as vezes que me puseste chifres... não só com minha irmã, mas com outras tantas mulheres... Como caíram nos teus emaranhados? Tu pensas que me emputeci por aquilo com Cristina mas hoje hei de confessar-te que não foi por ela, foi por ti e por mim, primeiro por mim porque nunca soube entender o que buscavas, o que buscas, o que te dão e o que elas te deram, que eu não te dei? Por que não nos façamos de idiotas Diego, eu te dei tudo aquilo humanamente possível e sabemos disso, agora bem, como caralho fazes para conquistar tantas mulheres si estás tão feio filho de uma puta.

Bom o motivo desta carta não é para repreender-te mais do que já nos temos repreendido nesta e quem sabe quantas bostas vidas mais, é só que vão me cortar uma perna (no fim saiu com a sua, a condenada) ... Te disse que eu já me fazia incompleta há tempos, mas que puta necessidade de que as pessoas soubessem? E agora já vês, minha fragmentação estará à vista de todos, da tua... Por isso antes que cheguem com a fofoca te digo eu mesma "pessoalmente", desculpa que não pare na tu casa para dizer-te isso frente a frente mas nestas instancias e condiciones já não me deixam sair do quarto nem para ir ao banheiro. Não pretendo causar-te lástima, nem a ti nem a ninguém, tampouco quero que te sintas culpado de nada, te escrevo para dizer-te que te libero de mim, vamos, te "amputo" de mim, sê feliz e não me procures jamais. Não quero voltar a saber de ti nem que saibas de mim, se quero ter o gosto de algo antes de morrer é de não voltar a ver tua horrível e bastarda cara de mau nascido rondar pelo meu jardim.

É tudo, já posso ir tranquila a que me mochem em paz.

Despede-se quem lhe ama com veemente loucura,

Sua Frida

Extraída del Blog Frida Kahlo
http://ilovefridakahlo.blogspot.com.ar/2012/09/carta-diego-rivera-desde-el-hospital.html