Imprensa e difusão

#AssuntosEpistolares 29

Envia: Laura Ambrosino

Buenos Aires, 12 de maio de 1947

Estimada Dona Leonor:

Soube da triste notícia através da revista Nuestra vecindad e depois de muitas dúvidas me atrevo a mandar-lhe meus sentidos pêsames pela morte do seu filho.
Sou Nélida Fernández de Massa, me chamavam de Nené, a senhora se lembra de mim? Há muitos anos vivo em Buenos Aires, pouco tempo depois de me casar vim para cá com meu marido, mas esta má notícia fez com que me decidisse a escrever-lhe algumas linhas, apesar de antes do meu casamento a senhora e sua filha Celina não me cumprimentarem mais. Apesar de tudo ele sempre continuou me cumprimentando, pobrezinho Juan Carlos, que descanse em paz! A última vez que o vi foi há mais ou menos nove meses.
Não sei se a senhora ainda me tem rancor, de toda forma desejo que Nosso Senhor a ajude, deve ser muito difícil resignar-se a uma perda assim, a de um filho já feito homem.
Apesar dos quatrocentos setenta e cinco quilômetros que separam Buenos Aires de Coronel Vallejos, neste momento estou a seu lado. Ainda que não goste de mim, deixe-me rezar junto a senhora.

Nélida Fernández de Massa

Puig, Manuel, Boquitas Pintadas. Boquitas pintadas de rojo carmesí. Primera Entrega, Bs. As.: Booket, 2012.